Jardins com Histórias

Jardins da Madeira. As suas flores, as suas histórias.

parque leite monteiro (monte)

  Largo da Fonte no início do séc. XX   reprodução de um cartão postal editado por Barrault Photographie

Largo da Fonte no início do séc. XX
reprodução de um cartão postal editado por Barrault Photographie


Breve Resenha Histórica

O Parque Municipal e a Igreja de Nossa Senhora do Monte constituem o principal atractivo da zona alta do anfiteatro funchalense. Os trabalhos de construção do Parque iniciaram-se em 1894 e a primeira fase terminou em 1899.

O parque ocupa “... duas porções de terreno, uma adquirida por esta Câmara a João Baptista de Sousa e consorte, por escritura de Agosto de mil oitocentos e noventa e quatro, e outra porção que pertence ao Passal do Pároco do Monte, que, por deliberação desta Câmara de quinze de Dezembro de mil oitocentos e noventa e oito e nos termos e condições a que a mesma alude, lhe foi entregue para ser ajardinado e servir de logradouro público” (Deliberação da Câmara Municipal do Funchal de 18 de Outubro de 1956).

“A Câmara Municipal do Funchal, em sua sessão de 22 de Agosto de 1895, deu o nome do seu presidente, o Dr. José Leite Monteiro, ao parque do Monte, mas a comissão administrativa municipal, nomeada após a proclamação da República, anulou essa deliberação, em sessão de 27 de Outubro de 1910. Em 13 de Fevereiro de 1913, sendo presidente da comissão administrativa municipal o Dr. Manuel Gregório Pestana Júnior, foi restabelecido o primitivo nome do parque, tendo sido esta resolução muito bem recebida pela população” (SILVA, F.A.; MENEZES, C. - 1965).

Hoje, esta zona verde é conhecida por Parque Municipal do Monte, ou simplesmente Parque do Monte, apesar da câmara nunca mais ter alterado o seu nome.

O Largo da Fonte é o espaço principal de entrada do Parque. Com um piso de pequenos calhaus rolados e sombreado por plátanos centenários, possui um coreto de ferro forjado em estilo arte nova e a Fonte da Virgem edificada em mármore em 1897, depois do primitivo fontanário, mandado construir em 1778 por Charles Murray, ter sido destruído pela queda dum castanheiro em 1896. A fonte contém um nicho com a imagem de Nossa Senhora do Monte, funcionando como local de grande devoção para os madeirenses residentes e emigrados.

Sob o Largo da Fonte passa o ribeiro de Santa Maria, que atravessa a céu aberto os canteiros posicionados a um nível mais baixo e cai em cascata na extremidade sul.

A igreja de Nossa Senhora do Monte localiza-se no cimo dos jardins. Este templo foi inaugurado em 1818, depois dum longo período de obras de reconstrução da primitiva ermida, e nele encontra-se sepultado o Imperador Carlos I da Áustria, falecido na Quinta do Monte a 1 de Abril de 1922.

Entre a Igreja e o Largo da Fonte há um lago onde vivem patos e que tem no centro o mapa da ilha da Madeira feito em pedra.

Entre 1997 e 1999, o Parque do Monte passou por importantes obras de requalificação, essencialmente na zona mais baixa, a Sul. Foram removidos matagais e lixos acumulados ao longo de cerca de trinta anos de abandono, erradicadas as espécies infestantes, arranjados os caminhos pedonais, construídos muros para suporte de terras, plantadas árvores, arbustos e plantas herbáceas com particular destaque para as espécies endémicas, instalados sistemas de rega automática e recuperados dois miradouros.

Mais de um século após a sua criação, o Parque Municipal do Monte mantém a ambiência romântica do período em que foi criado. Os pequenos canteiros de formas geométricas, instalados abaixo da ponte, por onde circulou o comboio entre 1894 e 1943, são o primeiro atractivo, mas não constituem a tipologia predominante. Os declives do terreno e a moda dos jardins selváticos, entretanto chegada da Inglaterra, determinaram a criação duma paisagem que se confunde com a informalidade da Natureza. As plantas crescem livremente e os caminhos pedonais percorrem de forma discreta toda a encosta desde o templo em honra de Nossa Senhora do Monte até ao fundo do ribeiro de Santa Maria.


Raimundo Quintal, in “Quintas, Parques e Jardins do Funchal: Estudo Fitogeográfico”, págs. 103 a 106, Esfera do Caos Editores, Novembro de 2007.